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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

20-09-2010 18:21


UNODC cria programa informático para sistema prisional

Bissau - O Gabinete da ONU Contra a Droga e o Crime Organizado (UNODC) está a desenvolver um programa informático para o novo sistema prisional da Guiné-Bissau, disse hoje (segunda-feira) a Lusa o representante daquele organismo em Bissau, Manuel Pereira.

O programa informático é a última fase do projecto de reabilitação do sistema prisional guineense, liderado pela UNODC e financiado pela Comissão de Consolidação de Paz da ONU para a Guiné-Bissau.



“É um programa informático muito simples, de registo de quem entra e sai, sejam presos, ou visitas", explicou Manuel Pereira.

"Antes, com as prisões que existiam, ninguém sabia porque é que o preso lá estava, qual era a sentença, o que o condenou, quanto tempo deveria lá estar, nem se sabia nome. Depois à noite ia para casa e vinha de manhã", explicou o representante da UNODC em Bissau.



"Não havia controlo, nem registo nenhum", acrescentou.


Segundo Manuel Pereira, com o programa vai ser possível registar todas as pessoas que entram e saem dos estabelecimentos prisionais, incluindo as visitas.

Os primeiros dois estabelecimentos prisionais guineenses no âmbito deste projecto vão ser inaugurados quarta - feira.

20-09-2010 13:07

Guiné Conakry
PM se insurge contra aumento da criminalidade

Conakry - O Primeiro-ministro conakry- guineense, Jean Marie Doré, se insurgiu contra o recrudescimento da criminalidade em Conakry e pediu ao ministro de Estado da Segurança, o general Mamadouba Toto Camara, para "tomar imediatamente" as medidas necessárias para combater este flagelo.


O Primeiro-ministro, que se encontrou, sábado à noite, com o general Toto, o chefe do Estado-Maior da Gendarmaria, o general Ibrahima Baldé, bem como com responsáveis da segurança, ordenou-lhes para reprimir as manifestações previstas para esta segunda-feira.


A União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG) de Cellou Dalein Diallo, um dos dois candidatos à segunda volta das presidenciais, pretende manifestar-se contra a detenção de vários militantes seus durante recentes confrontos com os
da Coligação do Povo da Guiné (RPG) de Alpha Condé, o outro candidato, alguns dos quais estão detidos.


Doré disse ser inaceitável que "criminosos" criem insegurança no país e que "ninguém esteja seguro", tendo prometido dar imediatamente às forças de segurança todos os meios requeridos para deter num breve prazo os malfeitores.


"Ordeno-lhes para deter os cidadãos que se divertem a provocar incêndios nas nossas instituições(...) Os guineenses devem votar com calma e paz para eleger com transparência o próximo Presidente da República", disse.


Uma importante quantidade de materiais eleitorais destinados à segunda volta do escrutínio presidencial, inicialmente prevista para domingo depois adiada devido "a problemas técnicos", foi queimada, quinta-feira última, num entreposto do quartel Samory Touré.


Um outro violento incêndio destruiu, sexta-feira, as instalações da Força Especial de Segurança do Processo Eleitoral (FOSSEPEL), criada pelos poderes públicos na perspetiva das eleições presidenicais.


Os dois sinistros ocorreram algumas horas após o adiamento da data da segunda volta do escrutínio, que foi denunciado pelo líder da União da UFDG, Cellou Dalein Diallo.


Falando em nome das forças de segurança, o general Toto tranquilizou o Primeiro-ministro, que ameaçou requisicionar o Exército se os resultados na luta contra a criminalidade não forem satisfatórios.


"(...) Já equipei a Polícia (?) Dou-lhe uma semana para restabelecer a ordem. Os meus homens e eu estamos determinados em aniquilar o flagelo do banditismo", disse.


O chefe do Estado-Maior da Gendarmaria, o general Baldé, declarou que a nova estratégia elaborada pelo seu serviço permitirá ter "num breve prazo" resultados convincentes, acrescentando que os seus serviços de inteligência trabalham igualmente no terreno.




Bacai Sanhá apoia processo eleitoral na Guiné-Conakry

Conakry - O chefe de Estado da Guine Bissau, Malam Bacaï Sanhá, expressou sábado o seu apoio ao processo eleitoral conakry-guineense no qual ele disse ter confiança.
No termo de duma visita de trabalho de algumas horas a Conakry, Bacai Sanha sublinhou ter recebido garantias de que a segunda volta das eleições presidenciais decorrerão em paz e calma.
Estas garantias lhe foi dada pelos actores políticos deste país, designadamente o Presidente da Transição, o general Sekouba Konaté, e os dois candidatos à segunda volta, Cellou Dalein Diallo e Alpha Condé.
"Desejamos que esta eleição decorra em boas condições. Estou optimista e desejo voltar a Conakry para assistir à investidura de um novo Presidente eleito", afirmou.
O Chefe de Estado disse ter recebido dos dois candidatos a promessa de tudo fazer para o regresso do país à calma.
Militantes dos dois candidatos entraram em confrontos no fim-de-semana, nas ruas de Conakry onde um simpatizante da Coligação do Povo da Guiné (RPG) de Alpha Condé foi morto a tiro perto da sede do partido, enquanto o seu líder animava um comício de sensibilização.

África conseguiu reduzir a pobreza

A Campanha do Milénio da ONU diz que todos os países africanos alcançaram progressos na redução da pobreza extrema, ao longo dos últimos dez anos, recordando ter sido em 2000 que foram traçados os objectivos do Milénio.

Falando nas vésperas da cimeira iniciada hoje em Nova Iorque, o director da campanha para África, Charles Abugre, disse que o crescimento económico no continente facilitou o alcance das metas em muitos países.

Mas Abugre salientou à BBC que África continua a sofrer com problemas globais que estão fora do seu controlo.

"Em relação ao resto do mundo, há algumas barreiras que os Governos africanos, e o povo africano não pode superar. Uma delas é a liberalização financeira global sem um controlo, que afecta África sempre que acontece algum percalço.

"A segunda, os paraísos fiscais em países ricos, que incentivam à corrupção", explicou o director para África da campanha do milénio.

Cimeira da ONU decide futuro das 8 metas

O futuro dos 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, comprometido pela crise económica e financeira, se decide a partir de hoje (segunda-feira) nas Nações Unidas, numa Cimeira, que pretende dar um novo impulso às metas de desenvolvimento internacionais para 2015. "Embora os atrasos sejam sérios, não devemos nos assustar", disse na semana passada o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que convocou a Cimeira, que se prolonga até 22 de Setembro. Os oito objectivos, acordados a nível internacional no ano 2000, visam reduzir a pobreza, a fome, a mortalidade materna e infantil, a doença, a habitação inadequada, a desigualdade de género e a degradação ambiental, até 2015. Com resultados muito díspares, e com poucas razões para optimismo, sobretudo em África, a ONU se tem esforçado por transmitir confiança, para manter os ODM na agenda internacional.
O relatório deste ano do grupo de trabalho de acompanhamento dos progressos dos ODM, foca-se no impacto da crise económica, e mostra que esta afectou a ajuda ao desenvolvimento, comércio, serviço da dívida, e o acesso a medicamentos e tecnologia. Um "impulso para os próximos cinco anos", até ao prazo definido em 2000 para alcance das 8 metas, é o objectivo assumido pelo Secretário geral para esta Cimeira. Mas a situação económica ainda é "frágil e vagarosa", e do seu fortalecimento vai depender em muito a melhoria dos indicadores sociais, conforme salientou esta semana o Fundo Monetário Internacional.
"Tudo depende de restaurar o crescimento económico global, equilibrado e sustentável. Esta é a fundação sobre a qual tudo o resto se irá construir", disse o director do FMI, Strauss-Kahn, que participará na Cimeira. Espera-se, assim, a adopção de um plano de acção até 2015, a par do lançamento de uma Estratégia Global para a Saúde Materna e Infantil.
A resolução a sair da Cimeira já foi acordada e será adoptada em Nova Iorque.
Em destaque estarão os casos de sucesso, entre eles o Brasil, a caminho de alcançar todas as metas.
Mais de 140 chefes de Estado e de Governo deverão passar ao longo da próxima semana pelas Nações Unidas, para a Cimeira e para o debate na Assembleia Geral (a decorrer de 23 a 29 de Setembro), que terá como tema a "Reafirmação do Papel Central das Nações Unidas na Governação Global".
Do Brasil vem o ministro das relações exteriores, Celso Amorim, enquanto a delegação cabo-verdiana é chefiada pelo Primeiro-ministro, José Maria Neves, e inclui também o ministro Negócios Estrangeiros, José Brito. São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, e Timor Leste serão representados pelos chefes de Estado, respectivamente Fradique de Menezes, Malam Bacai Sanhá e José Ramos Horta.
Chegou a estar prevista também a presença do presidente de Moçambique, Armando Guebuza, mas foi cancelada por "motivos orçamentais", segundo disse à Lusa fonte da representação diplomática moçambicana junto da ONU.
Em representação de Guebuza, estará o ministro dos Negócios Estrangeiros, Oldemiro Baloi, que irá se dirigir à Cimeira (20 a 22 de Setembro) na tarde de segunda-feira.
Entre os países lusófonos, Angola é o que enviou uma representação, encabeçada pelo secretário de Estado das Relações exteriores, George Chicoty, segundo informou fonte da representação diplomática junto da ONU.

sábado, 18 de setembro de 2010

Produtores guineenses aprendem técnicas para a valorização dos produtos locais

Bissau - Uma especialista portuguesa esteve a ensinar aos produtores da Guiné-Bissau as técnicas de marketing para a valorização dos produtos locais e defende que o rendimento do país podia subir se fossem tomadas algumas medidas.

Susana Costa e Silva, professora da universidade católica do Porto, está em Bissau, a convite da ONG Tininguena, para dar formação em marketing aos responsáveis de duas dezenas de organizações que lidam directamente com os produtores locais.

Ensinar as técnicas para "um melhor entendimento das estratégias de marketing e comercialização de produtos locais", foi o objectivo principal da formação de 15 dias que Susana Costa esteve a ministrar e que terminou sexta-feira última.



"Ao longo destas duas semanas, o nosso trabalho consistiu em explicar às pessoas do grupo de trabalho a melhor forma de fazer chegar o produto produzido pela terra, ao circuito de distribuição e, por conseguinte, ao consumidor final que tanto pode estar aqui no país como lá fora", declarou Susana Costa.



A professora portuguesa defendeu que, se fossem levadas em conta algumas técnicas de marketing, nomeadamente melhor comunicação entre produtor e consumidor, certificação de qualidade do produto da terra, os produtores guineenses "podiam ganhar muito mais do que aquilo que atualmente ganham".



Susana Costa e Silva defendeu que os produtores guineenses podiam ganhar mais se fossem capazes de colocar os seus produtos, com um selo 'made in Guiné-Bissau', nos mercados em que existem pessoas, oriundas do país, ou estrangeiras que já viveram ou trabalharam ali e que tenham regressado a casa.



"O segmento da saudade, que não é só de nacionais da Guiné-Bissau, é um grande mercado potencial, além do lugar que os produtos locais têm pelo seu próprio valor e mérito", afirmou.


Mas, pelas informações que foi recebendo dos formandos, a especialista portuguesa disse ter ficado com a impressão de que "existem vários estrangulamentos" que acabam por impedir a valorização e distribuição dos produtos locais.



A somar a estes estrangulamentos existem ainda as elevadas taxas que os produtores são obrigados a pagar, sem contar com o valor das mesmas, fatores que Susana Costa considera que acabam por tornar o produto mais caro e menos apetecível para ser levado ao circuito normal de comercialização.



"Quanto paga de taxa um produtor até fazer chegar o seu produto no circuito de comercialização normal?", questionou Susana Costa. A Lusa colocou esta questão ao representante do Ministério da Economia que assistia à palestra da professora portuguesa.



"É verdade que existem algumas taxas, mas muitas dessas taxas são cobradas de forma ilegal. O Governo está a trabalhar no sentido de controlar isso melhor, mas de momento já baixou muitas taxas", declarou Abílio Rachide, do Ministério da Economia.



Especialista em comércio internacional e diretora do departamento de marketing e pós-graduação na universidade católica do Porto, Susana Costa entende que a Guiné-Bissau deve trabalhar no sentido de passar a ter um certificado que possa garantir a qualidade e marca aos produtores locais.



Os alimentos, o artesanato, os artefatos do quotidiano, podiam ser comercializados tanto interna como externamente, bastando para isso que houvesse um certificado de qualidade dos produtos, sublinhou a professora portuguesa.

CEDEAO assumirá missão de estabilização a pedido do presidente - Goodluck Jonathan

Abuja - O chefe de Estado nigeriano e presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) garantiu hoje que, se o presidente da Guiné-Bissau solicitar uma força permanente de paz, a organização oeste-africana
"responsabilizar-se-á" pela missão.


Goodluck Jonathan, citado pela Panapress, discursava na sessão de abertura da cimeira extraordinária da CEDEAO sobre a Guiné-Bissau, em Abuja, capital federal da Nigéria, e sublinhou a necessidade de se encontrar rapidamente uma solução duradoura para o país.

"Se o presidente da Guiné-Bissau [Malam Bacai Sanha] solicitar uma força permanente com componentes da União Africana (UA), da CEDEAO e da Lusofonia, a CEDEAO responsabilizar-se-á completamente por esta força", sublinhou.


"A responsabilidade oficial de resolver o problema guineense cabe-nos a todos. Serviremos o nosso interesse colectivo ao resolver este problema", frisou o presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.


Goodluck Jonathan advertiu que os eventos na Guiné-Bissau "não são um bom presságio" para a subregião oeste-africana.


A cimeira decorre também na presença dos presidentes de Cabo Verde, Pedro Pires, e do Senegal, Abdoulaye Wade, sendo a Libéria representada pelo seu vice-presidente, Joseph Boakai.


Os restantes 10 países membros da CEDEAO enviaram ministros dos Negócios Estrangeiros ou embaixadores.


A cimeira vai discutir, entre outros temas, sobre o desdobramento eventual de tropas na Guiné-Bissau como membros duma força de estabilização neste país.


Em análise está também a possibilidade de enviar especialistas para formar os soldados guineenses na protecção de figuras como o presidente, o primeiro ministro e as principais instituições do Estado.


A Guiné-Bissau tornou-se numa placa giratória do tráfico de droga e atravessa uma crise de liderança desde Março de 2009, altura em que foram assassinados o presidente João Bernardo "Nino" Vieira e o então chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié.






quinta-feira, 16 de setembro de 2010

16-09-2010 18:28

CEDEAO confirma reunião

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) reúne sexta - feira, em sessão extraordinária, os chefes de Estado e de Governo para analisar a situação política e de segurança na Guiné-Bissau, anunciou hoje (Quinta-Feira) a organização em comunicado.



"Os chefes de Estado e de Governo da CEDEAO vão se reunir, numa sessão extraordinária, para analisar a grave situação política e de segurança na Guiné Bissau e rever os esforços de reforma do sector da defesa e segurança", lê-se no comunicado que confirma a reunião.

Na última cimeira, em Cabo Verde, os líderes da CEDEAO manifestaram "grande decepção" perante os últimos factos na Guiné Bissau, e instaram o Presidente a criar condições para a CEDEAO retomar os esforços destinados a encontrar parcerias para ajudar o país a reformar o sector da defesa e segurança e a garantir o respeito pelas instituições democráticas.



Na reunião de Agosto, a comissão de defesa da CEDEAO e um grupo restrito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) também recomendaram a aprovação de um plano para ajudar a Guiné-Bissau nestes desafios.




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sector de Mansoa na rota do abismo

Uma vila perto da capital, mas longe do desenvolvimento

“A Guiné-Bissau não pode desenvolver-se sem que os guineenses tenham o verdadeiro amor à sua pátria”, afirmou a adminsitradora do Sector de Mansoa, Nheta Na Onça, durante uma entrevista que concedeu ao Jornal Nô Pintcha.

Ela disse que o desenvolvimento deste país depende exclusivamente dos seus filhos porque, segundo ela, ninguém virá de fora para o assumir, adiatando que a Guiné-Bissau foi e continua a ser vítima dos seus filhos que em vários momentos optaram pela via da força na resolução dos seus problemas.

Segundo Na Onça, o Sector de Mansoa não conseguiu também progredir, porque a situação é conjuntural. Aliás, as fracas receitas provenientes da cobrança do mercado e da “Feira Popular” não chegam para pagar salários aos funcionarios locais e muito menos para investir na sua recuperação.

“Aqui não há energia eléctrica e nem água potável para a população de Mansoa. Tudo isso associado com o problema do saneamento básico, porque não temos viaturas e nem tractores para removerem lixos na cidade e no mercado”, indicou.

Lembrou que, em 2005 quando assumiu a função pela primeira vez, conseguiu da parte da ADPP um apoio financeiro para a abertura de um furo de água no mercado, mas infelizmente não se concretizou devido a má qualidade da terra que desabou a 18 mts, tendo acrescentado que no mesmo período e da mesma organização mobilizou um apoio financiero para a reacuperação de duas casas-de-banho no mercado.

No que concerne ao sector energético, Nheta Na Onça disse que as Forças Armadas haviam electrificado a cidade de Mansoa, no âmbito da sua política de reconcialiação, aproveitou aquela instalção para mobilizar apoios em combustível para o abastecimento da central local, mas a chegada do combustível coincidiu com a sua exoneração e, infelizmente, o seu sucessor não o usou da melhor forma e, o mais grave é que os cabos eléctricos foram todos roubados.

“Conheço um pouco a importância da saúde mas, infelizmente, não posso limpar a cidade de Mansoa, porque não tenho meios materiais e financeiros para suportá-la. Mesmo eu, na qualidade de administradora, não tenho viatura, a casa onde resido é uma casa emprestada”, lamentou.

Ela disse que os bons filhos de Mansoa sabem que ela é uma mulher trabalhadora, aliás informou que deixou algumas provas da sua dedicação. Acrescentou que as receitas da “Feira Popular” não chegam para nada, por isso tem popuca margem para fazer milagres.

Questionada sobre o estado de saúde da geminação entre a cidade de Mansoa e a cidade de Lolé, de Torres Noa, de Matosinho e a de Penela, Nheta Na Onça respondeu que nunca será frutuosa a geminação se na Guiné-Bissau os homens não estão interessados na paz e na estabilidade do país.

Segundo a administradora, os apoios doados por aquelas edilidades são impostos e fruto de sacríficio de um povo que pensa em desenvolvimento, portanto não serão metidos onde se fala muito e trabalha-se pouco.

Ela assegurou que se o país estiver calmo e toda a gente se virar para o desenvolvimento os tradionais parceiros poderão vir a retomar os seus programas de apoio ao desenvolvimento, como forma de impulsionar a Guiné-Bissau a sair da situação em que se encontra. Caso contrário, alertou que se os guineenses não mudarem os seus comportamentos e levarem no coração a Guiné-Bissau, a pátria de Amílcar Cabral precisará de muito tempo para se encaixar no trem do desenvolvimento.

Apesar das dificuldades, “nós continuamos a bater às portas dos nossos parceiros para que não se abandone Mansoa, porque o Governo Central não está em condição de acudir a todos os problemas que o país apresenta”, referiu, acrescentando que a sua administração está fortemente empenhada na mobilização de parceiros para mudar a imagem da cidade, porque a esperança está na receita local.

A nível da agricultura, a administradora disse estar esperançada de que este ano a colheita será boa, na medida em que a chuva cai regularmente e também não houve ainda nenhuma inundação das bolanhas. Um outro motivo para se regozijar tem a ver com a informação de que a cultura este ano, a nível de Mansoa, poderá estar livre de qualquer praga.

Guerra aberta instalada contra a administradora

A administradora do Sector de Mansoa disse à nossa reportagem que ouviu pela Emissora Católica Local, “Rádio Sol Mansi”, uma notícia, segundo a qual um grupo de pessoas não identificadas estão a preparar uma marcha de protesto contra a Administração Local ou contra a sua pessoa.

Nheta Na Onça explicou que ela nunca tomou conhecimento ou foi avisada de que um grupo de pessoas nativas de Mansoa discordavam com a sua administração ou da sua pessoa, pelo que está conscientemente tranquila.

“Gostaria muito que esse grupo de pessoas previlegiassem, primeiramente, o diálogo ao invés de estarem a organizar uma marcha de forma secreta. Eles podem fazer a marcha da forma que quiserem, mas é bom que seja na base da razão ou por fortes motivos, nós por cá estamos tranquilos e a trabalhar para melhorar o visual da cidade, aliás é a missão que o Governo nos incumbiu”, avisou.

A administradora disse que ela e a sua administração não têm nenhuma questão travada com a população de Mansoa e mantém boa relação com toda a gente e participam nas suas actividades.

Aconselhou ao dito grupo para que recorra à administração, à procura da verdade e do esclarecimento e para que não vá a reboque de ninguém, acrescentou, indicando o Governo da Região para se inteirar daquilo que acharem estar errado, ao invés de estarem a reclamar em vão.

Para confirmar essa informação, a nossa reportagem tentou sem sucesso localizar o referido grupo, apesar de todas as tentativas efectuadas e até nas conversas de café mantidas com diferentes camadas sociais local.

Texto e fotos: Seco Baldé Vieira

Japão financia programa Cantina Escolar com três milhões de dólares
Bissau - O Governo do Japão disponibilizou cerca de três milhões de dólares americanos para apoiar os programas de cantina escolar e nutrição na Guiné-Bissau, anunciou hoje (quarta-feira), a BBC.
O apoio financeiro doado sob forma de donativo foi anunciado esta terça-feira pelo Programa Alimentar Mundial PAM através de um comunicado a imprensa.

Segundo Pedro Figueiredo, representante do PAM em Bissau citado no comunicado, os beneficiários deste donativo serão as crianças menores de cinco anos , mulheres grávidas e a amamentar e doentes de SIDA.

De acordo com o comunicado que a BBC teve acesso, o referido donativo permitirá a aquisição de 2800 toneladas de papa de milho e soja para 94 mil alunos e cerca de 1600 mulheres grávidas e a amamentar.

Segundo Maya Hamada, Primeira Secretaria da Embaixada do Japão para a Guiné-Bissau com residência em Dacar, o governo japonês aposta no apoio alimentar e assistência nutricional para pessoas mais vulneráveis incluindo crianças desnutridas, mulheres grávidas, pessoas idosas e doentes.

O apoio nutricional é uma componente dos cuidados de saúde básicos. Tem contribuído para salvar vidas e para a redução da mortalidade materno-infantil.

Na Guiné-Bissau o programa de cantinas escolares lançado pelo PAM cobre cerca de 800 escolas fornecendo mais de 120 mil refeições diárias.

Além de aumentar a taxa de inscrição, essa assistência ajuda no desempenho dos alunos nas escolas e contribui para a redução das disparidades entre rapazes e raparigas.

As meninas, para além das refeições nas escolas levam para casa uma ração adicional, como incentivo aos pais para que mantenham as suas filhas na escola.



Missão de estabilização vai ser debatida no parlamento em Novembro

Luanda - A ministra da Comunicação Social e dos Assuntos Parlamentares da Guiné-Bissau, Maria Djaló, disse terça-feira em Luanda que o envio de uma missão de estabilização de paz para o país vai ser debatida em Novembro no parlamento guineense.

Maria Djaló falava à imprensa após um encontro com o ministro angolano da Defesa, Cândido Pereira Van-Dúnem, com quem se reuniu para manifestar o seu agradecimento pelo apoio de Angola à Guiné-Bissau.

Segundo a governante guineense, o assunto sobre a missão de estabilização de paz para a Guiné-Bissau vai ser debatido em Novembro, altura em que terá início o ano legislativo da Guiné-Bissau.

"Este assunto vai ser debatido na sessão que vamos ter no mês de Novembro, porque a nossa Assembleia agora encontra-se de férias", salientou Maria Djalo.

Fonte da Assembleia guineense disse à agência Lusa que, antes do regresso dos deputados aos trabalhos, a comissão permanente do parlamento vai discutir nesta quarta-feira os contornos da eventual vinda de uma missão de estabilização para o país.

A comissão permanente é um órgão que substitui os plenários quando não há sessão do Parlamento guineense.

No dia 01 de Agosto, no final de uma reunião do Conselho de Defesa Nacional guineense, a Presidência do país anunciou que as autoridades políticas e militares concordaram com o princípio da vinda de uma força de estabilização.

Entretanto, o ministro da Defesa guineense, Aristides Ocante da Silva, disse em Luanda no final de uma visita a Angola que "não vale a pena ir por caminhos dispensáveis", como a missão de estabilização de paz, quando há possibilidade de cooperação como a que está a ser implementada com Luanda.

Sobre o encontro com Cândido Pereira Van-Dúnem, a ministra da Comunicação Social e dos Assuntos Parlamentares guineenses disse que serviu para agradecer o apoio que o ministro da Defesa tem estado a prestar à Guiné-Bissau, no quadro da missão que o governo angolano lhe confiou.

Os governos de Angola e da Guiné-Bissau assinaram um protocolo de cooperação no domínio da Defesa, onde o Ministério da Defesa angolano vai ajudar a implementar o processo de reforma do sector da defesa e segurança daquele país.

Cândido Pereira Van-Dúnem disse que o encontro serviu para passar em revista aspectos relacionados com a intervenção do sector da comunicação social na implementação do protocolo que recentemente foi assinado.

"Como é óbvio a comunicação é um órgão que não pode estar ausente de um processo dessa natureza, daí a razão de, além de termos trocados impressões sobre outros aspectos relacionados com a relação de cooperação e amizade dos dois países, também falarmos fundamentalmente sobre aquilo que poderão ser os apoios que Angola, no âmbito da reforma do sector da defesa e de segurança da Guiné-Bissau, pode também prestar à comunicação social da Guiné-Bissau", referiu.


Chefe do exército iniciou hoje visita Guiné-Conakry

Bissau - O chefe do estado-maior general das Forças Armadas da Guiné-Bissau, o general António Indjai, está desde hoje (terça-feira) de visita à vizinha Guiné-Conakry, com vista ao reforço dos laços de cooperação militar entre os dois países, soube a PANA de fonte oficial em Bissau.

O general António Indjai, que partiu segunda-feira para Conakry para uma estada de 48 horas, visita a Guiné-Conakry acontece numa altura em que se registam tensões e violências entre militantes dos dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais, prevista para 19 de Setembro.

Indagado sobre a concidência da visita do general António Indjai à Guiné-Conakry nesta altura de tensão política, a fonte precisou que a viagem tem "carácter puramente militar".

"Esta viagem foi preparada há muito tempo antes dos acontecimentos dos últimos dias em Conakry", indicou a fonte do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Em relação à recente deslocação do chefe do Exército guineense a Angola, a fonte disse que a mesma permitiu rubricar acordos de cooperação com as Forças Armadas Angolanas (FAA) em várias áreas, nomeadamente para a reabilitação de casernas, a formação de pessoal militar, a abertura de escolas militares e o fornecimento de material.

Representante do SG da ONU em Portugal para debater situação no país

Bissau - O representante especial do Secretário geral da ONU para a Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, reúne-se hoje(terça-feira) em Lisboa com o ministro dos Negócios estrangeiros, Luís Amado, e com o secretário executivo a CPLP para debater a situação no país africano.
Segundo uma nota publicada no site oficial da missão da ONU na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba iniciou na segunda-feira uma viagem de 10 dias a algumas cidades europeias para discutir com as autoridades a necessidade de apoiar a Guiné-Bissau nos esforços e reformas para garantir a estabilidade.
Antes de Lisboa, o representante do secretário geral da ONU esteve em Paris, onde manteve encontros com a presidência francesa, Ministério dos Negócios estrangeiros e representantes da francofonia.
Entre quarta-feira e sábado, Mutaboba estará em Londres, onde será recebido, entre outros, pelo ministro para África britânico, Henry Bellingham. Depois de Londres, Joseph Mutaboba segue para Bruxelas (domingo), onde permanecerá até 23 deste mês para encontros com a Comissão Europeia e representantes da Suécia, Espanha, Alemanha e França. No início de Agosto, as autoridades políticas e militares da Guiné-Bissau concordaram com o princípio do envio de uma força de estabilização para o país sob a égide das Nações Unidas.
No entanto, no sábado, o ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Aristides Ocante da Silva, considerou a missão de estabilização de paz "dispensável" se a cooperação no sector de defesa e segurança com Angola avançar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010